quarta-feira, 17 de novembro de 2010

amizade na crise

não o vou negar e nem quero que me censurem. sou de amizades fáceis, é um facto. não posso ver um qualquer ser a aproximar-se de mim que logo me encho de compaixão pelo próximo. não é um defeito, prefiro acreditar que é feitio.(ainda que, por vezes, tropece, “acreditar” é a palavra-chave).

ainda que, por vezes, muitos daqueles em quem mais confio se vão embora ou estejam longe; ainda que, muitas vezes, confie e depois seja “traída”. Acontece a todos e o meu karma não será, evidentemente, diferente do vosso.

vivemos em tempo de “vai-e-leva”. o raio da crise afecta-nos muito mais do que em termos financeiros. para mim, o aspecto social é o que fica mais machucado. a crise faz com que todos andemos num profundo stress, como se fôssemos bombas-relógio prontas a explodir em qualquer momento;

a crise é desculpa para tudo: para estarmos sozinhos e para estarmos acompanhados. ora queremos estar sozinhos porque não nos apetece ir ao café ou a outro sítio onde sabemos que é certo, certinho, que vamos despender uma qualquer maquia; ora queremos estar acompanhados porque se formos jantar com companhia não só nos livramos da solidão, como dividimos a conta;

é na crise que percebemos quem são os nossos amigos: aqueles a quem não precisamos de dar uma única palavra para nos perguntarem se queremos boleia para a estação para pouparmos no tempo/ dinheiro do táxi; aqueles que, mesmo com dificuldades, fazem o “gesto do Zé Povinho” e juntam o necessário para nos virem visitar…só porque sim!

mas é também a crise que nos obriga a sermos tão poupados, mas tão poupados, que chegamos ao ponto de poupar, também, nas palavras e nos esquecermos de dizer a estas pessoas o quão importantes são para nós. fica aqui o meu testemunho. da verdadeira amizade na crise.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

simple as that

e olhavam (oh se olhavam!) pelas entrelinhas dando azo a uma realidade que não estava ao alcance desta dimensão. ele olhava para ela e, ao mesmo tempo, penetrava no seu corpo como que a fazer uma visita guiada. ia-lhe ao coração, lia-lhe a mente e passava-lhe pela alma. trespassava-a como ninguém.
ela ficava-se. não reagia. sabia que não podia reagir com medo de estragar tudo o que alcançara. ele tinha poderes para isso e muito mais. tinha a capacidade de a colocar numa jaula e mantê-la no seu quarto, encerrada para sempre. presa junto ao pó e às recordações que ficam onde têm de ficar: no passado. (num curto passado)
ela sabia. e desejava todos os dias que não fosse assim. que tudo mudasse de um momento para outro. que a realidade das entrelinhas fosse uma realidade que todos pudessem ler; que todos pudessem ver; e que alguns (senão muitos!) pudessem invejar!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

mau feitio.

"passo horas no café, sem saber p'ra onde ir, tudo à volta é tão feio, só me apetece fugir"

gosto de ser eu e gosto dos meus ténis. mas não gosto que me revirem os olhos ou que me atirem "farpas". adoro mesmo alguns dos meus amigos, mas a cada dia que passa mais me apercebo que há coisas que tenho de guardar para mim e que não posso respeitar algumas pessoas como elas não me respeitam a mim.

e se um dia... se um dia eu acabo de me encher, nem tudo vai correr bem e os olhos revirados vão virar olhos de surpresa.

gosto do sotaque do norte. cada vez mais faço por não o perder, porque cada vez mais me apercebo que com ele vêm uma quantidade de valores e sentimentos que os sotaques do fundo do país não têm. despegados de tudo, da vida e com trejeitos de quem nunca teve ninguém que se importasse realmente consigo.

e se um dia... se um dia te encontro encho-te de beijos e vou-te dizer mil vezes a falta que me fazes e vou querer que me digas o porquê de te teres ido embora e me teres deixado assim...

e um dia... um dia vou saber o que é viver sozinha, em paz, num sítio meu com o meu Mundo e uma flor. um dia...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

I...I



era tudo o que ela mais desejava. tudo o que ela mais escondia:

esperava que, um dia, ele lhe entrasse pela porta e a levasse a ver os aviões; que passeassem pela praia; que sentissem a areia nos pés; queria os cabelos dela molhados e a colarem na cara dele; queria sentir nos olhos dele a imensidão do mar e a segurança dos tesouros mais profundos dos oceanos; desejava voltar a sentir as tatuagens dele. voltar a aprender a jogar poker com ele. voltar a entrar no trabalho e sentir-se única.

queria saber que ele estava lá: a cada mensagem, a cada telefonema, a cada ataque de estupidez. e saber que ele a perdoaria (porque, afinal, se tinha dado a conhecer como a mais ninguém). ansiava ouvi-lo dizer que a história não se ia repetir; ansiava que falassem do futuro com um presente passado e que fizessem planos.

no fundo, queria sentir-se segura. sentir-se amada. sentir-se em paz. queria que ele soubesse.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

.vou-m'embalando.



"Eu falei baixinho
Para ninguém ouvir
As palavras foram
Com o vento
Eu vou-me embalando
Só p'ra não sentir
Que os segredos
Vão ganhando ao tempo

Ra ra ra ra ra...

Eu chorei baixinho
Para não me ouvir
Não vá o meu coração saber
Que eu vou-me embalando´
Só p'ra não sentir
A dor que tenho por te não ter

Ra ra ra ra ra..."

a tua falta. a falta que me fazes. vô.

domingo, 15 de agosto de 2010

...

a foto que não quer que me esqueça. o olhar que volta e meia aparece. o único que me faz ter pena e ficar triste. o único que eu queria.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

vida

sabes, hoje o primo ligou-me. precisamente. esse. é verdade, faz hoje 8 anos! :) queria-me convidar para a festa dele! não vou poder ir... e não tive coragem de lhe dizer. fiquei triste com isso.
ligou-me de um número que eu não conhecia para me dizer, também, que a partir de agora é o feliz dono de um telemóvel! não é novo, foi a vó que lho deu, mas parecia um "homem de negócios" a falar. achei tanta piada! no fim ainda me disse: o meu número apareceu no teu telemóvel,não apareceu? eu respondi que sim e que o ia gravar logo que terminássemos a chamada.
entretanto... sinto uma calma que há muito não sentia. tranquilo, é Agosto. a eterna silly season onde não se passa nada e o pouco que se passa há-de ser sempre mais do mesmo. o que tu não sabes é que em mim e para mim se passa muito! estou tão melhor do que no ano passado... tão melhor... lembras-te do meu sufoco? de todas as injustiças? passaram e já quase nem me lembro delas! epah... que bom!
só não sei uma coisa e é isso que me continua a sufocar... não saber... se estás bem...