quarta-feira, 7 de abril de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
loading. hard day part II.
Feliz dia do Pai. Esta é a nossa música, avô.
Feliz dia do Pai, àquele que me atura, suporta, tolera e apoia desde sempre. O melhor Pai do Mundo (sem clichés e frases feitas), porque quer queiram, quer não...é o meu!
Feliz dia do Pai, àquele que me atura, suporta, tolera e apoia desde sempre. O melhor Pai do Mundo (sem clichés e frases feitas), porque quer queiram, quer não...é o meu!
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
cenas.
Nem sempre há desconforto. Depois de um mês e 18 dias ela sentiu-o. Não o desconforto de estar mal num sítio, de ter uma vontade repentina de voltar para casa, para o sossego da lareira, da TV com a última temporada de "Lost", a cadela a dormir no seu colo e o irmão e os pais no sofá ao lado. Mas o desconforto de não estar com quem a conhece desde miúda ou até um pouco depois disso...resumindo: de quem sabe como tudo começou. De quem sabe as bandas que ela venera, os musicais que estão no seu coração, os cereais que ela adora e, até, de como gosta de ter o quarto e a cama quentes, ou de dormir sem ninguém a perturbar. Um pouco preguiçosa, nesse aspecto. Só gosta que a acordem com um forte motivo. E um forte motivo não é dizerem-lhe às tantas da matina que têm uma barata no quarto e que não conseguem dormir sem ajuda para a matar; ou os vizinhos do andar debaixo tocarem à campainha às 6 da manhã porque querem pão-de-ló; ou, ainda, os mesmos vizinhos terem partido os vidros dos carros todos desde o bar onde estavam até ao prédio e a polícia estar no edifício. "Isso não são motivos fortes", pensava ela.
Hoje não tem esses motivos. Tem outros. Acorda porque tem de ir para o trabalho. Acorda porque tem de limpar a casa. Acorda porque lhe apetece imenso falar com a colega com quem divide o apartamento. Ou, simplesmente, acorda...porque lhe apetece!
E o desconforto foi sentido pela primeira vez, contou-me ela. Tudo porque "estava a apostar que se convivesse mais com um dos colegas a coisa se ia dar". "Mas tu ainda pensas nisso?", pergunto eu. "Claro que sim. Algum dia hei-de acertar". "Mas não será com esse", respondi-lhe, "já viste esse filme e não gostaste. Parte para outra."
Ela fica pensativa... Diz que vai comprar mentos, que não aguenta mais não acertar em quem vale a pena. Vai ao bar. Volta e devora-os em menos de 10 minutos. "Bolas", pensei eu, "já fiz asneiras". Ela continuou pensativa... "Sabes o que é?", interpela-me. "É que eu olho à minha volta e não vejo ninguém interessante. Assim, bonito, com valores, decente e com um cérebro activo. E ele tem isso tudo... Porque raio é que tenho de ter sempre a mira trocada? Devo ter sido muito cabra n'outra vida", concluiu.
E aquilo deixou-me a pensar.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
crónica de um trapo.

Fiquei esquecido algures entre a agulha e o dedal. Sou um trapo vermelho, já um pouco desgastado do tempo. Do tempo e da vida, pois há coisas que, por muito que as minhas linhas sejam resistentes e do mais elegante tecido, não aguentam.
Conheci muita gente ao longo da minha existência. Aqui e ali, entre máquinas de costura, botões e alfinetes de peito, ouvi muitas conversas e participei noutras tantas, no entanto, não percebo porquê, nunca ninguém me escutou. Duvido mesmo que alguma vez tenham reparado em mim; que tenham visto que, sem mim, o casaco, a saia e mesmo as calças teriam um espaço que seria ocupado pelo nada. Um vazio. Um vazio que só eu, trapo viajado, poderia tapar com firmeza.
E foi naquele dia. Naquele dia em que aquela camisola de lã passou eu senti que tinha de fazer parte dela. Queria muito, com todas as minhas forças. De cada vez que ela passa, admirava-a. Ah, como era bela. Entrava na redacção e eu estremecia. Ficava vermelho, sentia o coração a bater tão depressa que tinha receio que alguém reparasse! Ficava inconstante e sentia as minhas linhas confusas na clareza do meu padrão.
E a camisola de lã passava. Passava e olhava-me, tenho a certeza. Sempre na esperança que lhe dissesse um olá, que a minha timidez a par da estupidez, por vezes, não me deixavam pronunciar.
O que é certo é que ainda hoje a camisola de lã passa por mim. O que é certo é que, de quando em vez, saio do armário onde estou com a agulha e o dedal, encho o peito de ar e cumprimento-a. E quando ela passa e vai embora, vão-se embora os trapos que me complementam. Vai embora, no fundo, parte de mim.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
que contas teremos para ajustar?
Num Mundo que está ao contrário, que faz do Inverno um quase Verão e do Verão um quase Inverno não são apenas as estações que me fazem reflectir.
Há quem diga que um jornalista não deve ter sentimentos, pois só assim consegue ser objectivo. Não concordo. Um jornalista tem de ter sentimentos e tem de ser humano, não pode é ter escolhas. O sentimento não é uma escolha. É o que faz com o jornalista o seja em pleno, que consiga transmitir tudo o que o rodeia de uma forma simples, clara e tocante.
Ultimamente nós, habitantes do planeta Terra, temos sido constantemente postos à prova. Serão alertas, chamadas de atenção? Primeiro o Haiti e toda a tragédia que lhe foi inerente. Os muitos sismos que não queriam que a população haitiana voltasse à normalidade, o abanar da terra como um puxão de orelhas que os pais dão aos filhos. As mortes. A destruição. Depois dos sismos, a queda de um avião da ajuda humanitária que aumentou o número de mortos. Mais duas vítimas. Uns dias depois, um desabamento numa escola causa a morte de quatro crianças. "Mas isto não é cá. É lá longe.", pensamos nós. Sensibiliza-nos, mas não nos afecta. Continuamos nas nossas vidas e contribuímos das formas que podemos para a reabilitação de um país, de um povo, de muitas vidas. E os portugueses são solidários, lá isso é verdade.
Mas... e quando é aqui ao lado? Quando são pessoas que falam a nossa língua, cantam e sentem o nosso hino? As imagens e os dados da Madeira que me foram chegando no meu turno de trabalho de hoje na SIC foram absolutamente impressionantes. Pelo menos 32 mortos. E é aqui que eu pergunto: que contas teremos para ajustar? Que Deus é este que se diz infinitamente bom e misericordioso? Que Deus é este que nos ensina a perdoar, perdoar, perdoar, mas que teima em castigar o ser humano?
É aqui que tudo fica frágil. Neste ponto. Aqui tão perto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)